Crimes digitais: proteger as pessoas, especialmente os nossos idosos, é uma das minhas lutas

Há um tipo de crime que entrou silenciosamente na vida das famílias brasileiras. Ele não precisa de arma, não precisa arrombar uma porta e, muitas vezes, começa com uma simples mensagem no celular.

Estou falando dos golpes e crimes eletrônicos.

Tenho acompanhado com muita preocupação o crescimento desse tipo de crime porque, por trás de cada número, existe uma pessoa. Existe uma mãe, um pai, um avô, uma avó, alguém que trabalhou a vida inteira para conquistar suas economias e que, de repente, pode perder tudo em poucos minutos.

Os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram a dimensão desse problema. Entre 2018 e 2025, os registros de estelionato cresceram 429,8% no Brasil. Em 2025, foram mais de 2,26 milhões de ocorrências, consolidando o estelionato como o principal crime patrimonial do país.

Mas o que mais me preocupa é que esses criminosos estão cada vez mais organizados. Eles usam tecnologia, engenharia social e informações pessoais para conquistar a confiança das vítimas. Podem se passar pelo banco, por um familiar, por uma empresa conhecida ou até por uma autoridade.

É o falso atendente do banco. O WhatsApp clonado. O falso pedido de Pix. A falsa loja virtual. O link enviado por SMS. A mensagem dizendo que existe um problema urgente na conta.

E muitas vezes a vítima só percebe que foi enganada quando já é tarde demais.

Quando a vítima é um idoso, o prejuízo vai muito além do dinheiro

Tenho uma preocupação especial com os nossos idosos.

Uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com a Silverguard e o Instituto Opinion Box mostra que quatro em cada dez brasileiros com mais de 60 anos já foram vítimas de golpes financeiros. Entre aqueles que caíram em uma fraude, 80% tiveram prejuízo financeiro e, em mais da metade dos casos, a perda passou de R$ 1 mil.

Mas existe uma consequência que não aparece na conta bancária.

Quem sofre um golpe pode sentir vergonha, medo, raiva, frustração e até desenvolver ansiedade e problemas de sono. É comum a pessoa se culpar por ter confiado em alguém que, na verdade, passou dias ou semanas estudando uma maneira de enganá-la.

Eu não aceito essa inversão de responsabilidade.

A culpa é de quem pratica o crime.

E é justamente por isso que combater os crimes eletrônicos é uma das minhas bandeiras nesta eleição.

Precisamos proteger quem mais precisa

Quero levar essa discussão para Brasília porque acredito que segurança pública também precisa acompanhar a transformação da sociedade.

Se os criminosos aprenderam a usar a tecnologia para cometer crimes, o Estado também precisa aprender a usar a tecnologia para proteger as pessoas.

Não podemos tratar o golpe digital como um problema menor. Ele já é uma realidade que atinge milhões de brasileiros e movimenta uma estrutura criminosa cada vez mais sofisticada.

O próprio Anuário mostra uma diferença que precisa nos fazer refletir: em 2025, foram registrados mais de 2,26 milhões de boletins de ocorrência por estelionato, mas apenas 63.771 processos penais foram instaurados e 4.819 pessoas foram presas.

Isso significa que precisamos melhorar a investigação, a integração entre as instituições e a capacidade de responsabilizar os criminosos.

Não basta apenas dizer para as pessoas terem cuidado.

É claro que informação e prevenção são fundamentais. Mas não podemos colocar toda a responsabilidade sobre a vítima. Precisamos de bancos, empresas de tecnologia, operadoras de telefonia, plataformas digitais, órgãos reguladores, Ministério Público e forças policiais trabalhando juntos.

Precisamos agir mais rápido quando o golpe acontece.

Precisamos facilitar a denúncia.

Precisamos melhorar a identificação dos criminosos.

E precisamos criar mecanismos mais eficientes para tentar bloquear e recuperar valores desviados.

Minas Gerais já tem estruturas importantes, mas podemos avançar

Em Minas Gerais, a Polícia Civil conta com a Delegacia Especializada em Investigação de Crime Cibernético, em Belo Horizonte, responsável por investigações de crimes praticados pela internet e que atua em conjunto com as unidades policiais do interior.

Também temos o Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos, o Gaeciber, do Ministério Público de Minas Gerais. Em julho deste ano, o grupo inaugurou novas instalações para ampliar sua capacidade de investigação, inteligência, perícia tecnológica e apoio jurídico às Promotorias de Justiça de todo o estado.

São avanços importantes.

Mas eu acredito que podemos fazer mais.

Precisamos fortalecer essas estruturas e, principalmente, fazer com que a proteção chegue a quem está longe dos grandes centros. O cidadão do interior de Minas Gerais também precisa ter segurança para usar o celular, fazer um Pix, acessar sua conta bancária e realizar uma compra pela internet.

Quero falar especialmente com você que tem pais ou avós

Talvez você já tenha recebido uma ligação de um pai perguntando se determinada mensagem era verdadeira.

Talvez sua mãe já tenha pedido ajuda porque recebeu um SMS dizendo que havia uma compra suspeita no cartão.

Talvez seu avô já tenha recebido uma ligação de alguém dizendo ser funcionário do banco.

Essas situações estão cada vez mais presentes dentro das nossas casas.

Por isso, essa é uma bandeira que quero defender com muita proximidade das pessoas.

Quero trabalhar para que o combate aos crimes eletrônicos seja tratado como uma prioridade de segurança pública e para que tenhamos políticas capazes de proteger principalmente os mais vulneráveis.

Porque segurança não é apenas colocar mais policiais nas ruas.

Segurança também é impedir que um criminoso, escondido atrás de uma tela, roube a economia de uma vida inteira.

Uma nova realidade exige novas respostas

A criminalidade mudou. E a nossa forma de combatê-la também precisa mudar.

O Brasil precisa olhar para experiências internacionais que conseguiram integrar bancos, empresas de tecnologia, operadoras e forças policiais para responder rapidamente aos golpes.

Precisamos de inteligência, tecnologia, investigação e integração.

Mas precisamos também de algo que não pode faltar: humanidade.

Quando uma pessoa idosa perde dinheiro para um golpista, ela não perde apenas recursos. Muitas vezes perde a sensação de segurança, a confiança nas pessoas e até a tranquilidade para continuar usando a tecnologia.

É isso que eu quero ajudar a mudar.

Quero que nossos pais e avós possam usar o celular sem medo. Que possam fazer suas operações bancárias, conversar com a família, comprar pela internet e usar o Pix com segurança.

Essa é uma bandeira que pretendo levar para Brasília: mais proteção contra os crimes digitais, mais segurança para as famílias e atenção especial aos nossos idosos.

Porque tecnologia deve servir para facilitar a nossa vida, e não para transformar a nossa confiança em oportunidade para criminosos.

E eu acredito que proteger as pessoas também é uma forma de cuidar do futuro.

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