Nosso jovem não precisa sair daqui para encontrar seu futuro

Durante muito tempo, sair do interior foi visto quase como uma etapa natural na vida de quem queria crescer profissionalmente. O jovem terminava a escola, deixava sua cidade em busca de uma universidade e, depois, procurava emprego em um grande centro. Muitos acabavam construindo sua vida longe da família e da região onde nasceram.

Eu acredito que essa trajetória não precisa ser inevitável.

O Sul de Minas tem universidades, escolas técnicas, empresas, indústrias, propriedades rurais, comércio, serviços e uma economia diversificada, capaz de oferecer oportunidades para a nossa juventude. O desafio é aproximar a formação das necessidades do mercado e criar condições para que essas oportunidades cheguem aos jovens.

“O jovem não deveria precisar escolher entre permanecer perto da sua família e construir um futuro profissional. Precisamos criar condições para que ele possa fazer as duas coisas”, defendo.

O problema começa antes do primeiro emprego

A dificuldade de permanecer na própria região não está apenas na falta de vagas. Muitas vezes, ela começa na distância entre aquilo que o jovem aprende e aquilo que o mercado de trabalho local precisa.

Empresas procuram profissionais qualificados, enquanto jovens buscam oportunidades que nem sempre encontram em suas próprias cidades. Essa desconexão precisa ser enfrentada com políticas de educação profissional, cursos técnicos, formação tecnológica, programas de aprendizagem e uma aproximação maior entre instituições de ensino e empresas.

Quando a formação conversa com a economia local, todos ganham.

O estudante passa a enxergar uma perspectiva profissional. As empresas encontram mão de obra qualificada. E os municípios aumentam sua capacidade de atrair investimentos e gerar desenvolvimento.

“Precisamos fazer com que a educação seja também uma ponte para o emprego. Formar nossos jovens é fundamental, mas também precisamos criar caminhos para que eles possam aplicar esse conhecimento aqui, na nossa região”, afirma Felipe Ribeiro.

O interior também precisa formar para o futuro

A economia está mudando rapidamente. Tecnologia, inteligência artificial, automação, energias renováveis, novas formas de produção e serviços digitais estão transformando profissões e criando novas oportunidades.

E isso não acontece apenas nas capitais.

Uma empresa localizada no interior também precisa de profissionais preparados para esse novo cenário. Uma propriedade rural incorpora tecnologia. O turismo utiliza ferramentas digitais. Pequenos negócios precisam vender pela internet. A indústria busca profissionais cada vez mais especializados.

Por isso, falar em oportunidades para os jovens significa ir além da formação tradicional.

É preciso ampliar o acesso à qualificação profissional, tecnologia, inovação, empreendedorismo e educação financeira.

“O futuro não está concentrado nos grandes centros. A tecnologia já chegou ao campo, à indústria, ao comércio e aos pequenos negócios do interior. Nossos jovens precisam estar preparados para participar dessa transformação”, ressalta.

Empreender também é uma possibilidade

Nem todo jovem encontrará seu caminho em um emprego formal. Alguns poderão criar seus próprios negócios, desenvolver uma solução tecnológica, assumir uma atividade familiar ou transformar uma habilidade em fonte de renda.

Para isso, precisam encontrar um ambiente favorável.

Crédito, capacitação, orientação, desburocratização e acesso à tecnologia podem fazer uma grande diferença, especialmente para quem está começando.

O pequeno negócio de hoje pode se tornar uma empresa que gera empregos amanhã. E, em muitas cidades do interior, o empreendedorismo já faz parte da identidade econômica local.

“Precisamos olhar para o jovem também como empreendedor, como alguém capaz de criar soluções, gerar renda e abrir oportunidades para outras pessoas. O papel das políticas públicas é ajudar esse potencial a crescer”, afirma Felipe.

Permanecer não pode significar abrir mão de oportunidades

Existe uma diferença importante entre escolher partir e ser obrigado a partir.

Um jovem pode querer estudar em outra cidade, conhecer novos lugares, trabalhar em uma grande empresa ou viver uma experiência diferente. Isso faz parte da liberdade de escolha.

O problema é quando ele precisa deixar sua cidade simplesmente porque não encontra alternativas.

A meta não deve ser impedir que os jovens saiam. Deve ser garantir que eles também tenham motivos para ficar.

Isso significa ampliar a oferta educacional, estimular novos negócios, atrair investimentos, fortalecer os setores produtivos e criar conexões entre formação e mercado de trabalho.

“Eu não quero que nenhum jovem deixe o Sul de Minas porque não encontrou oportunidade. Quero que ele tenha liberdade para escolher seu caminho. Se quiser sair, que saia por escolha. Se quiser ficar, que encontre aqui condições para estudar, trabalhar, empreender e construir sua família”, destaca Felipe Ribeiro.

Uma agenda que começa nos municípios

Essa transformação não acontece com uma única medida. Ela depende de uma agenda que envolva União, Estado, municípios, instituições de ensino e setor produtivo.

Em Brasília, essa discussão passa por políticas nacionais de educação profissional, ensino superior, inovação, crédito, empreendedorismo e geração de emprego.

Mas as prioridades precisam ser conhecidas a partir da realidade local.

O que falta em uma cidade pode ser diferente do que falta em outra. Uma região industrial terá determinadas necessidades. Uma região agrícola terá outras. Municípios com vocação turística podem demandar profissionais diferentes daqueles que concentram atividades de tecnologia ou serviços.

É justamente por isso que a política pública precisa ouvir quem está na ponta.

“Quero levar para Brasília uma atuação conectada com a realidade dos nossos municípios. Não existe uma fórmula única para todo o Sul de Minas. Precisamos ouvir as cidades, entender suas vocações e transformar essas necessidades em políticas públicas”, afirma.

Criar oportunidades para que o talento fique

O Sul de Minas não pode ser apenas um lugar de onde os jovens saem. Pode ser também um lugar onde eles estudam, trabalham, empreendem, constituem suas famílias e constroem seus projetos de vida.

Para mim, criar essas condições faz parte de uma visão mais ampla de desenvolvimento regional.

A defesa da educação precisa caminhar junto com a defesa do emprego, da inovação e do empreendedorismo. Afinal, formar um jovem sem criar perspectivas para que ele possa aplicar seu conhecimento na própria região significa perder parte desse investimento.

“O talento que nasce no interior precisa encontrar espaço para crescer no interior. Esse é um compromisso que quero levar para a minha atuação política”, diz Felipe Ribeiro.

O desafio para os próximos anos é transformar essa ideia em políticas concretas: mais formação, mais conectividade, mais oportunidades e mais integração entre quem ensina, quem produz e quem contrata.

Porque desenvolvimento não é apenas trazer investimentos para uma região.

É permitir que as pessoas que vivem nela também tenham a oportunidade de crescer junto.

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